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Prefeitura de Olinda

PARLAMENTO EM FOCO: TRAÇOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA PARA O BRASIL – Pedro Lacerda

“O Brasil é um país de imigrantes”. Esta assertiva traduz uma verdade histórica pouco destacada em nossa sociedade contemporânea brasileira. A miscigenação racial que embasa a formação do povo brasileiro tem um íntimo laço com a vinda dos italianos para nossa “Terra De Santa Cruz”.

Por óbvio, tendo sido os portugueses os responsáveis por nossa colonização, o aspecto da presença europeia na formação da nossa população fica restrito, na sabedoria popular, aos colonos lusitanos, fato real, mas não único na formação da nossa história.

O Brasil comemorou no dia 21 de fevereiro o “Dia do Imigrante Italiano”, data comemorativa criada em 2008, com o fim de homenagear o mais significativo movimento imigratório da nossa história. O nome Itália tem origem na Roma Antiga e significa “terra de pastos”.

Esta data foi a escolhida por celebrar a chegada ao porto de Vitória do Espírito Santo do navio “La Sofia”, em 21 de fevereiro de 1874, dia que restou marcado simbolicamente como o começo do processo de imigração maciça de italianos para o Brasil.

O território no qual foi edificado o Estado italiano é marcado, historicamente, pela presença de etruscos, gregos e celtas. Em 262 a.C a região foi unificada pelo domínio romano. Sendo um país localizado na Europa Meridional, com fronteira ao norte com França, Suíça, Áustria e Eslovênia, forma uma península no mar Mediterrâneo e abrange duas grandes ilhas, a Sicília e a Sardenha.

Após períodos de divisões territoriais, em 1861 ocorreu a proclamação do “Reino Da Itália”, sendo na oportunidade Vítor Emanuel coroado soberano e a cidade de Turim passado a ser a sua capital. O término do processo de formatação da Itália tal qual hoje conhecemos teve fim em 20 de setembro de 1870, momento no qual Roma foi incorporada, tornando-se a sua capital.

O conturbado cenário social e político, gerado com as batalhas em torno da unificação do território italiano, foi a mola propulsora para o início da imigração italiana para o Brasil e outros países ao longo do globo, como os Estados Unidos da América.

A imigração italiana no nordeste brasileiro teve início no período compreendido entre os anos de 1891 e 1899, quando foram empreendidas quatro tentativas de colonização em torno de famílias camponesas italianas. Os Estados nordestinos que receberam 40 (quarenta) famílias provenientes da Emília-Romanha e das Marcas foram a Bahia e Pernambuco.

Porém a dificuldade de aclimatação com os aspectos climatológicos nordestinos fez com que das 40 (quarenta) famílias 38 (trinta e oito) solicitassem transferência para o Estado de São Paulo e as 02 (duas) restantes retornaram ao solo italiano em 1898.

Com isso, no Estado de Pernambuco a imigração italiana concentrou-se ao longo do litoral e na atual região metropolitana do Recife, com imigrantes oriundos das províncias de Cosenza, Salerno e Potenza.

O ápice do movimento imigratório italiano em nosso país ocorreu entre os anos de 1880 e 1930. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não questiona a ancestralidade desde 1940, quando 1.260.931 brasileiros disseram serem filhos de pai italiano e 1.069.862 afirmou ser filho de mãe italiana.

Atualmente os dados são controversos, mas estima-se que 30 milhões de brasileiros possuem origem italiana, percentual que gira próximo a 15% (quinze por cento) da nossa população brasileira. Não há meios de negar a forte influência italiana na formação da nossa nação brasileira, sendo a cidade de São Paulo uma verdadeira cidade italiana fora da península.

Escrevo esta coluna “Parlamento Em Foco”, semanalmente veiculada no “Observatório De Olinda” e no “Portal Ver Agora”, em homenagem a todos os ítalo-brasileiros como eu.

Pois, meu avô materno, César Antônio Chiappetta, era filho do alfaiate radicado em Olinda/PE, Biaggio Chiappetta, oriundo da cidade de Tortora, Província de Cosenza, na Calábria, nascido em 02 de agosto de 1883.

Meu bisavô, Biaggio Chiappetta foi um dos milhares de italianos que fizeram a travessia oceânica rumo a “América”, buscando uma vida mais digna.

Chegou ao Brasil em maio de 1906, no vapor “Rei Humberto”, tendo desembarcado no Estado do Pará, tinha à época apenas 23 (vinte e três) anos. Imagino as dificuldades e sentimentos experimentados pelo jovem Biaggio ao decidir deixar para trás sua vida na Itália (família, amigos, tudo o que sempre viveu) para recomeçar tudo no Brasil.

Em uma época de meios de transportes precários e comunicação também rudimentar, deixar a Itália rumo a “América” deveria ser uma decisão bastante difícil e marcada pelo sentimento de saudade, pois era quase que certo jamais voltar a ver a terra original e os seus entes queridos.

Ele veio de Tortora, que é uma comuna italiana da região da Calábria, província de Cosenza, com cerca de 5.808 habitantes. Possui área de 57 km2, tendo densidade populacional de 102 hab/km2. Faz fronteira com Aieta, Laino Borgo, Lauria, Maratea, Praia a Mare e Trecchina.

Vemos que é uma pequena cidade, de geografia complexa, encrostada em uma região montanhosa da Calábria. No ano de 2019 alguns familiares estiveram na cidade e ficaram impressionados como ela parece ter “parado no tempo”.

O fato é que a decisão do jovem Biaggio Chiappeta em vir para o Brasil gerou uma consequência belíssima em sua história, que permanece viva por seus descendentes, como eu. Biaggio casou-se com a pernambucana Alcina (filha de portugueses) e teve 09 (nove) filhos, muitos netos, incontáveis bisnetos e tataranetos.

Dentre os tataranetos destaco minha filha Pietra e meu filho Pedro Humberto, que do ventre da mãe Rebeka, aguarda a passagem do tempo para chegar ao mundo e continuar, junto com sua irmã Pietra, primos e primas, a saga do sangue italiano que correu nas veias de Biaggio, corre nas nossas, e nos orgulha de sermos ítalo-brasileiros.

Viva a Itália! Viva o Brasil! E todos os imigrantes, de todas as nacionalidades, que com suas vidas e legados construíram a identidade do povo brasileiro.

Pedro Leonardo Lacerda

Advogado Especialista Em Direito Público e Consultor PolíticoINSTAGRAM: @pedro_leonardo_lacerda / FACEBOOK: Pedro Leonardo Laacerda

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