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Prefeitura de Olinda

PARLAMENTO EM FOCO: O FUTEBOL BRASILEIRO x “TORCEDORES QUARTA CAMADA” – Pedro Lacerda

Em nosso país o futebol é muito mais que uma atividade desportiva, é um elemento integrante da cultura nacional, desenvolvido no Brasil a partir de 1894 (mil oitocentos e noventa e quatro), quando o então jovem Charles Miller, filho de ingleses que estudou na Europa, trouxe consigo algumas bolas de uma temporada no “Velho Continente”.

Dados históricos nos informam que o primeiro clube formado com a finalidade exclusiva da prática futebolística foi a “Associação Atlética Mackenzie College”, na cidade de São Paulo, em 1898 (mil oitocentos e noventa e oito). Naquele tempo, antes da disseminação do esporte bretão, a atividade desportiva mais em voga era o remo, nobre esporte que foi muito praticado no Recife até meados da década de 70 do século passado.

Sem dúvidas um marco na história do enraizamento do futebol em nossa sociedade foi à conquista do primeiro título mundial, em 1958 (mil novecentos e cinquenta e oito) na Suécia, momento em que se projetavam os primeiros passos de um jovem jogador, com então 17 (dezessete) anos, que veio a se tornar no maior jogador de todos os tempos, nosso também símbolo nacional, Pelé.

Foi na “Copa do Mundo da Suécia” o início da fase mais romântica e marcante da nossa seleção brasileira, carinhosamente chamada de “Seleção Canarinha”. Pois, no período compreendido entre os anos de 1958 (mil novecentos e cinquenta e oito) a 1970 (mil novecentos e setenta), nossa seleção conquistou três mundiais em quatro que foram realizados.

Apenas em 1994 (mil novecentos e noventa e quatro) voltaríamos a nos sagrarmos campeões mundiais, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, quando nossa seleção, que não era favorita, venceu o torneio realizado em solo americano.

Há 19 (dezenove) anos, em 2002 (dois mil e dois), o Brasil torna-se campeão mundial mais uma vez – desta feita conquistando a Copa do Mundo realizada pela primeira vez em dois países sedes, Coréia do Sul e Japão. A prática esportiva europeia, que se tornou elemento indissolúvel da cultura nacional, deixou, há muito, de ser apenas uma manifestação romântica e cultural.

No ano de 2019 (dois mil e dezenove) um estudo realizado a pedido da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informava que naquele ano o negócio gerado pelo futebol movimentou um total de 52,9 bilhões de reais na economia nacional, montante que correspondia naquela oportunidade a 0.72 do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. E não é apenas no campo econômico e cultural que nossa paixão nacional deve ser vista como um fenômeno.

Na seara comportamental muito a de ser estudado sobre o impacto emocional oriundo da paixão pelo esporte na psique dos seus apaixonados torcedores. Pois, nem somente de bons exemplos, dentro e fora dos campos, vive a indústria do futebol, no Brasil e no mundo. Uma vez que a maior finalidade de qualquer prática desportiva é favorecer a saúde física e mental, além de promover a integração social e novas amizades.

Porém, infelizmente para muitos, o que deveria ser um momento de nobreza é transformado em episódios de rompantes de vandalismo, agressividade e histerismo quase psiquiátricos. Como entender que pessoas pacatas, ordeiras, e responsáveis sejam dominados por rompantes de agressividade e falta de freio moral?

Atitudes não restritas aos torcedores que transformam ruas em praças de guerra, mas também aos que fazem das redes sociais ferramentas de disseminação da violência moral e do ódio desenfreado. Para iniciar uma breve reflexão sobre esses comportamentos absolutamente reprováveis, faço uma breve alusão aos estudos sobre os aspectos da formação da personalidade, realizados pelo filósofo Olavo de Carvalho.

Carvalho nos leciona a existência de “12 (doze) Camadas da Personalidade”, sendo a primeira alusiva ao corpo, que seria o veículo no qual a personalidade é transportada ao longo da nossa existência física. Dentre as camadas propostas, destaco a quarta camada, que seria a “camada da criança”, a camada infantil.

É na quarta camada onde reside a busca do ser humano pelo afeto, na qual uma criança, inicialmente através da relação com seus genitores, busca a estabilidade emocional e a aceitação social. Ao atingir esta camada o ser humano já compreendeu que tem um corpo próprio (diferente do da mãe) e que é um ser autônomo. Nela a cognição já está relativamente desenvolvida e a busca da afetividade é um marco comportamental e psicológico. Na quarta camada temos a referência de nós mesmos.

Essa referência à quarta camada nos ajudará a entender os episódios de fúria, histeria e passionalismo, apresentados por muitos torcedores, de todos os níveis sociais, dentro e fora dos estádios (sobretudo em tempos de isolamento social fruto da pandemia gerada pelo Covid -19). Tal qual crianças egocêntricas, os torcedores desequilibrados ficam absolutamente à mercê do ambiente externo e de seus reflexos imediatos nos comportamentos e humores.

A explosão de egocentrismo faz com que haja um surto de autorreferência no qual o apaixonado pelo futebol acredita que tudo o que acontece nas “quatro linhas” é uma agressão ao seu amor pelo clube de sua preferência. Ao mesmo tempo em que se tudo ocorrer como seu desejo, ao longo da partida, seu time passa a ser o melhor do planeta terra!

Outra consequência psicológica dos “Torcedores Quarta Camada” é o vitimismo, passando o sujeito a fantasiar que existe uma conspiração interplanetária para prejudicar seu clube, na verdade apenas um falo, símbolo, de seu próprio ego e vaidade. Há neste momento uma espécie de “paralisia” do córtex pré-frontal, fazendo-o agir pelo impulso e com ele a realização de atos de vandalismo, ofensas e agressões, reais e virtuais, via redes sociais.

Passado o surto oriundo da contrariedade sofrida pela derrota de seu time, seja a razão concreta ou imaginária, o sujeito retorna a estabilidade emocional até que tenha início outra partida na qual seja seu time do coração o protagonista do jogo. Há uma tendência histórica a sempre minimizarmos esses comportamentos desmedidos, justificando-os sempre, com base no “amor e na emoção”.

Porém, em pleno ano de 2021 (dois mil e vinte e um) é chegada a hora de que seja realizada uma ampla mobilização em torno do combate aos comportamentos agressivos, histéricos e irracionais oriundos dos milhares de “Torcedores Quarta Camada”, em nosso país e no mundo. Nenhum amor pode ser escudo para a prática de grosserias e vandalismo!

Pois seus comportamentos provocam violências físicas e virtuais, afastam as famílias dos estádios e contradizem a razão de ser (e beleza) da prática do futebol, qual seja a obtenção do bem estar físico e mental de quem o pratica, e daqueles que tem no espetáculo de entretenimento futebolístico, um momento de lazer para si e suas famílias.

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Pedro Leonardo Lacerda

Advogado Especialista Em Direito Público e Consultor Político

INSTAGRAM: @pedro_leonardo_lacerda / FACEBOOK: Pedro Leonardo Laacerda

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