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PARLAMENTO EM FOCO: O ABSURDO DAS CARREATAS NAS ELEIÇÕES – Pedro Lacerda

A campanha eleitoral teve início oficial em 27 de setembro e logo nos primeiros dias da “caça ao voto” constatamos que pouco mudou nos procedimentos empreendidos pelos candidatos “de todos os matizes ideológicos e políticos”.

Logo no primeiro fim de semana no qual os atos de rua foram permitidos vimos as vias de Olinda serem tomadas por várias carreatas. Sim, amigo leitor, as velhas e “surradas” carreatas, adotadas desde a metade do século passado, ainda têm lugar de destaque nas estratégias eleitorais dentro e fora da nossa cidade.

Em tempos passados esses eventos automotivos possuíam destaque em duas épocas do nosso calendário, anualmente durante o período do Carnaval (no qual o “Corso” era requisito tão presente quanto os bonecos gigantes da Cidade Alta, mais a “dupla inseparável” do confete e serpentina) e nos períodos eleitorais, a cada quatro anos.

Observamos em vídeos antigos a verdadeira algazarra promovida durante os percursos do “Corso”: carros em péssimo estado de conservação; lotados de foliões embriagados (muitas vezes turbinados pelo consumo de lança-perfume, “loló” e outros entorpecentes); crianças penduradas em portas e janelas (quando os veículos em questão ainda possuíam esses itens) e um total desrespeito a toda e qualquer basilar legislação de trânsito.

O quadro de caos acima descrito, extinto pela consciência de que o trânsito precisa ser tratado com a seriedade que possuí – afinal de contas, no vai-e-vem dos automóveis e motos muitas vidas são ceifadas pelos acidentes, em todos os períodos do ano – ainda é preservado intacto nas inacreditáveis carreatas promovidas pelos candidatos em anos eleitorais.

Não só em Olinda, mas em todos os recantos de Pernambuco, tomamos conhecimento dessa prática jurássica, antiecológica e violadora das normas mais comezinhas da segurança no trânsito: as absurdas carreatas! Ontem, ao sair de Olinda rumo ao Recife, deparei-me com uma promovida por um dos candidatos a Prefeito que tinha mais de 4 (quatro) quilômetros de extensão.

Sua concentração começava em frente ao Clube Atlântico de Olinda e seu fim estava próximo a Escola de Aprendizes de Marinheiros! Em vários trechos, a via no sentido Recife-Olinda, totalmente interrompida pela falta de civilidade e educação dos que lá estavam. Toda sorte de infrações de trânsito foram cometidas, inúmeras vezes. Parecia que presenciávamos o renascimento do “Corso”, sem qualquer charme ou encanto, como existia nos carnavais de outrora.

Nossa cidade é conhecida pelo rigor dos seus agentes de trânsito, chamados carinhosamente de “Verdinhos” (tendo em vista a cor de seus uniformes) que no exercício de suas atribuições funcionais colaboram para um trânsito mais seguro e ordenado.

Desde o início desta campanha os mesmos devem ter ingressado em profundo estado de hibernação, pois não me consta que na legislação eleitoral vigente haja previsão de que em eventos de campanha com automóveis o Código de Trânsito Brasileiro não pode ser aplicado.

E não apenas em Olinda vivenciei no dia de ontem o desprazer de me deparar com um “Corso ressuscitado”. Em plena Avenida Domingos Ferreira um jovem candidato a vereador promoveu um carreata com o mesmo formato da que se dava na “Marim dos Caetés”, ou seja: tudo indica que essa prática absurda ganha adeptos nas novas gerações de políticos.

Escrevo semanalmente pensando nos cidadãos que gentilmente leem a minha coluna “Parlamento Em Foco”, publicada no “Observatório de Olinda”. Busco contribuir com o debate e na formação política dos nossos amigos e leitores. Acredito ter como missão de vida promover em minhas atividades, seja como advogado especialista em direito público ou como consultor político, a defesa da democracia e do bem comum.

Assim, lanço as seguintes reflexões no texto de hoje: será que ainda há espaço, na sociedade moderna que vivemos para esse tipo de absurdo que consiste na realização de carreatas nos períodos eleitorais?

Que tipo de gestor público será um candidato, caso seja eleito ou reeleito, que conscientemente RASGA AS NORMAS DE TRÂNSITO e COLOCA A VIDA DE SEUS APOIADORES E DEMAIS TRANSEUNTES EM RISCO ao promover um tipo de manifestação que tem mais a ver com a desordem e a perturbação da paz pública?

A sociedade civil precisa se posicionar, em todo o Estado de Pernambuco, contra o absurdo dessas carreatas automotivas, realizadas em todo o nosso território.

Esse tipo de evento não encontra mais guarida no mundo contemporâneo, que busca fontes renováveis de energia, em combate ao uso do petróleo; que valoriza o respeito à vida no combate ao uso de bebidas alcoólicas junto com o ato de dirigir; que prega a tolerância e a empatia.

Sou por formação um humanista, defensor da democracia, da liberdade de expressão e da importância de se valorizar o período eleitoral e o bom debate sobre os destinos das cidades. Mas não vejo como silenciar tendo em vista o retrocesso simbólico contido na realização desses atos absolutamente retrógrados, irresponsáveis e ilegais denominados de carreatas.

Os abusos cometidos pelos que as promove, a falta de civilidade e espírito público são um spoiller (gíria de origem americana que significa antecipar o conteúdo de algo que ainda não foi visto) do tom com o qual exercerão, em caso de vitória, os seus mandatos.

Fiquemos atentos e julguemos através dos “pequenos gestos” espontâneos aqueles que se dispõem a governar as nossas cidades.

Pedro Leonardo Lacerda – Advogado e Consultor Político

INSTAGRAM: @pedro_leonardo_lacerda / FACEBOOK: PedroLacerdaConsultorPolítico

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