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PARLAMENTO EM FOCO: NÁDEGAS DE NOVO! – Pedro Lacerda

Segundo o conceituado dicionário Houaiss, a palavra nádegas significa: no palavreado popular “cú”, rabo, traseiro. Etimologicamente origina do quimbundo “mbunda”, quadris, nádegas.

Parte corporal mistificada na cultural nacional, a “bunda”, volta à ribalta político-policial através da anatomia do vice-líder do Governo Bolsonaro, senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que na última quarta-feira, dia 14/10/2020 foi flagrado pela Polícia Federal acomodando vultosa quantia de dinheiro entre suas nádegas, entrincheirada às portas de seu ânus.

A operação capitaneada pela Polícia Federal teve por fim apurar supostas irregularidades cometidas no uso de recursos públicos voltados ao combate do “Coronavírus” no Estado de Roraima. Foi apreendida a relevante quantia de R$ 33.150,00 (trinta e três mil e cento e cinquenta reais) próximo ao ânus do então vice-líder do Governo no Senado Federal.

Segundo o relatório da Polícia Federal, o senador Chico Rodrigues vestia um short de pijama azul e uma camisa amarela, quando os policiais da operação “Desvid-19” ingressaram na sua residência. Segundo o relatório transcrito pelos policiais federais que realizaram a apreensão, o senador pediu para ir ao banheiro após as buscas realizadas no quarto de seu filho.

O delegado que comandava a operação autorizou sua ida ao sanitário, mas disse que o acompanharia – por ter desconfiando do volume triangular formado na parte posterior de suas nádegas, visto o referido volume através do short de seu pijama.

Ao realizar a busca pessoal, o delegado da Polícia Federal apreendeu a quantia de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) acondicionada entre às suas nádegas. Por mais surreal que possa parecer, este absurdo episódio ocorreu na semana passada, e envolveu o vice-líder do Governo no Senado Federal.

O malsinado fato nos remete a outra apreensão, em roupas íntimas, que entrou para o folclore político nacional. Com a diferença de que a constrangedora apreensão ocorreu no ano de 2005 (dois mil e cinco) nas vestes íntimas de assessor do então deputado federal do PT (Partido dos Trabalhadores), José Guimarães, irmão do Ex-Presidente Nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), José Genoíno. Naquela oportunidade o seu então assessor, José Adalberto Vieira foi preso com a impressionante quantia de 100.000,00 dólares, na cueca!

Sem desejar polemizar em relação à capacidade de “carga entre as nádegas” constatada entre os fatos, ora narrados, observamos que os atores políticos podem até mudar, mas as práticas nefastas são perpetuadas ao longo do tempo.

Em 2005 o Brasil era governado pelo presidente Lula, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente, somos governados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), cujo líder do governo no Senado foi protagonista do episódio constrangedor, ora comentado.

Assim, prezados leitores, sem mais delongas, resta evidenciado que por mais que haja mudanças no nosso cenário político nacional, as práticas abjetas realizadas por parte dos donos do poder, continuam as mesmas.

A esperança de uma mudança radical nas condutas políticas nacionais, cada vez mais, demonstra ter sido do apenas um discurso jogado ao vento, por parte de um então candidato a presidente da República que procurava espelhar a mudança que tantos desejamos. 

Vemos, pelos escândalos ocorridos, que podemos até ter o sonho de uma transformação de discursos e posturas, mas que, ao final da vitória eleitoral, se transformam na triste realidade de que o “PODER” é impessoal e sempre exigirá as mesmas práticas condenáveis, independentemente de quem esteja em seu domínio.

Este “anatômico” escândalo somente reafirma nossa constatação de que os malfeitores estão colocados no meio político e que, sejam de “esquerda ou de direita”, seus inescrupulosos desejos pessoais se colocam à frente do mais basilar sentimento de república e espírito público.

Que Deus nos proteja e ao Brasil. Cada vez mais observamos que nosso país não necessita de um “salvador, de um messias”, mas sim de uma classe política e de eleitores comprometidos com o conceito mais simples de “Espírito Público”.

Pois, a força do “PODER” a cada dia se revela cada vez mais apartidário e impessoal, gerando assim prejuízos pagos não por que de suas benesses goza, mas sim por todos nós, cidadãos brasileiros.

Pedro Lacerda é advogado e escreve às segundas-feiras para o Observatório de Olinda

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