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PARLAMENTO EM FOCO: MARKETING POLÍTICO E SEUS EFEITOS COLATERAIS – Pedro Lacerda

Antes de analisarmos o conceito do marketing político, vamos caminhar pela definição de marketing, destacando que diversas são suas escolas e acepções. Segundo Raimar Richers, “Marketing é o conjunto de atividades que tem por fim concretizar relações de troca. Essa troca ocorre entre os produtos e serviços da empresa com o poder aquisitivo do consumidor”.

E através de breve reminiscência histórica, ilustro, ainda, que foi a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da briosa Fundação Getúlio Vargas (FGV), que no ano de 1954 introduziu a definição de “Marketing” ou de “Mercadologia” em solo brasileiro.

Poderia, ainda, discorrer sobre o “posicionamento”, segundo alguns especialistas a palavra que resume o que vem a ser o “Marketing”. Bem como que o “posicionamento” de Marketing se relaciona com a regra de seus 04 (quatro) “Ps”, quais sejam: “preço”; “praça”, “produto” e “promoção”.

Mas não irei fazê-lo para não fugir do tema do presente artigo, que visa tangenciar os efeitos do Marketing Político nas eleições. Concentremo-nos, por enquanto, no cerne da essência da Mercadologia: “concretizar relações de troca”, como nos ensina Richers.

Ou seja, as técnicas mercadológicas visam influenciar na escolha do consumidor no momento da aquisição de bens e serviços; dizer e mostrar ao cliente, informações e sensações, de maneira a “fisgar” seu bolso, trocando em miúdos.

Importante, nesta etapa, diferenciarmos os conceitos de “Marketing Político e Marketing Eleitoral”, sendo em apertada síntese o primeiro relacionado com a formação da imagem de longo prazo (aplicado por um gestor público que visa equalizar suas ações administrativas com o desejo da comunidade que deve representar).

Já o segundo, qual seja o “Marketing Eleitoral”, voltado em suas táticas e estratégias para que o candidato que consiga angariar a maior quantidade de votos, durante a campanha eleitoral, venha a ser eleito. O “Marketing Político” é instrumento para manutenção da popularidade, enquanto o “eleitoral” restringe-se a ser um instrumento de comunicação traçada para convencer o eleitor a decidir-se em votar num determinado postulante.

Assim, amigo leitor, durante os próximos 45 (quarenta e cinco) dias de campanha eleitoral seremos quase que literalmente bombardeados por uma torrente de “técnicas de relações de trocas” objetivando influenciar na formação da orientação de nosso voto.

Realizando uma analogia, seremos os “consumidores” a serem “fisgados” por aqueles que visam o que há em nossos “bolsos”, porém, desta feita, não são os valores monetários talhados como “alvos”, mas sim, os “valores democráticos” expressos pelo mais nobre dos atributos da cidadania, qual seja o DIREITO AO VOTO.

Redobremos nossas atenções, avaliemos detalhadamente a enxurrada de técnicas midiáticas que nos serão lançadas seja pelo rádio, televisão ou smartphones. Sem sombra de dúvidas excelentes nomes estão na “caça ao voto”; homens e mulheres vocacionadas para o serviço público expressado no exercício dos cargos de Prefeitos(as) e Vereadores(as).

Não nos deixemos seduzir pelas competentes estratégias de comunicação eleitoral – muitas vezes caríssimas – e de grande impacto sobre nossa cognição. Torçamos para que elas nos impulsionem a visualizar o melhor caminho para nossas comunidades e cidades, tão sofridas por velhas práticas políticas, doiradas a cada eleição por novas ferramentas midiáticas.

Procuremos conhecer o que realmente pensam os candidatos, quais seus compromissos firmados em seus planos de governos e defendidos por seus partidos e aliados. O que nos importa, enquanto cidadãos é isso!

Apreciemos a beleza das ferramentas modernas de comunicação eleitoral, os belos vídeos e guias eleitorais, que mexem com nossas emoções a cada visualização. Porém, cuidado.

Não nos rendamos apenas a isso, sob pena de sermos “fisgados” como ocorre com os consumidores impulsivos que adquirem produtos de péssima procedência na emoção do marketing.

Pois, diferente deles, que ainda podem arrepender-se no prazo de 07 (sete) dias estipulado pelo artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor, nós, eleitores, ao errarmos no exercício do sufrágio universal somos punidos impiedosamente durante 04 (quatro) anos, na irrecorrível “pena” que nos trás as duras consequências de uma sociedade mais injusta, pobre e desigual.

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Pedro Leonardo Lacerda

Advogado e Consultor Político

INSTAGRAM: @pedro_leonardo_lacerda / FACEBOOK: Pedro Leonardo Laacerda

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