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PARLAMENTO EM FOCO: A FONTE DA MEDIOCRIDADE NO PODER – Pedro Lacerda

Estamos a poucos meses das eleições municipais do corrente ano. A partir de hoje se inicia o prazo para a realização das convenções partidárias, momento no qual os partidos políticos formalmente escolhem e homologam os nomes de seus filiados que disputarão o voto popular visando ocupar os cargos de Vereadores e Prefeitos nos 5.570 (cinco mil quinhentos e setenta municípios brasileiros).

Apenas a partir das convenções partidárias, e posterior registro de sua respectiva ata, pode um pré-candidato colocar-se efetivamente na condição de candidato a determinado cargo eletivo, no caso do pleito deste ano, Vereador ou Prefeito. Porém, cabe-nos uma reflexão: será que apenas a “vontade” em ser votado é suficiente para habilitar alguém ao exercício de um cargo eletivo, seja no Poder Executivo ou Legislativo?

Como conciliar o grande anseio por novos quadros políticos no poder com a necessária qualificação mínima para servir à sociedade na condição de possuidor de um mandato? São essas as reflexões que proponho caro leitor, com a nossa coluna desta semana.

É recorrente escutarmos, por parte dos eleitores em geral, sua falta de ânimo em participar da “festa da democracia”. Pois, é senso comum que a permanência ao longo do tempo dos mesmos atores políticos no poder gera uma sensação de estagnação em grande parte dos eleitores, sedentos por representantes mais atuantes e conectados com suas necessidades e das comunidades que fazem parte.

Porém, por suas características próprias, é restrito e complexo o acesso dos cidadãos ao mundo da política. Vivenciamos partidos que em sua expressiva maioria estão desconectados do tecido social. Frios, distantes e burocráticos, deixam e muito a desejar no exercício dos necessários debates que deveriam ocorrer em todas as estruturas partidárias, independente de sua orientação política.

Uma agremiação partidária necessita possuir presença em todos os extratos sociais: empresários, sindicalistas, artistas, estudantes, movimentos sociais, profissionais liberais, funcionários públicos, dentre outros membros da sociedade, devem possuir franco acesso aos partidos para que da comunhão de suas opiniões sejam trilhados os caminhos e debates a serem enfrentados – sempre voltados para a obtenção de mais justiça social e condições de vida para todos.

É a pluralidade de pessoas, opiniões e debates a matéria prima através da qual uma legenda passa a ter vida e justifica o custo social e econômico de suas existências. E neste ambiente de efervescência devem ser forjadas as ferramentas necessárias para que um filiado venha a pleitear um cargo eletivo com condições mínimas de representar o pensamento partidário e exercer o mandato concedido através do voto popular.

Infelizmente, na prática, pouca preocupação é empenhada na formação dos quadros partidários. Impaciência, imediatismo, falta de espírito público, são algumas das mazelas responsáveis pela letargia formativa que impera em nosso sistema partidário nacional. E como resultado, cada vez mais, é disponibilizada para a sociedade uma deficiente seleção de candidatos e candidatas, desprovidos dos mínimos conceitos necessários para a vivência na atividade política e no exercício do poder.

Em Pernambuco temos um exemplo que contraria essa triste situação. O Partido Social Liberal (PSL) tem promovido uma série de cursos, palestras e capacitações, direcionadas aos seus candidatos e candidatas. Visando disponibilizar ao eleitor nomes instruídos nos conceitos elementares, voltados para a vida pública. Exemplo que necessita ser copiado por outras agremiações em nosso Estado.

Muito trabalho há de ser feito no resgate do caráter formativo dos partidos políticos brasileiros. Ao longo do tempo perdeu-se o costume da vida partidária e dos ensinamentos advindos desta salutar convivência entre a agremiação política, seus fundamentos e valores políticos, com seu quadro de filiados. A consequência que toda a sociedade percebe é a baixíssima qualidade dos candidatos que se apresentam em cada eleição.

Para candidatar-se a um cargo eletivo não basta “vontade”. É necessário também o preparo intelectual, político e cívico, ingredientes primordiais na forja de homens e mulheres dotados de espírito público e vontade de servir às suas comunidades. Se assim não for feito continuaremos a ver uma profusão de candidaturas “ocas”, ou seja, sem conteúdo e razão de ser.

Ou melhor, cuja razão de ser não vai além do exercício mesquinho da vaidade individual, situação normalmente acompanhada pela ganância e ambição desmedidas voltadas para a busca do enriquecimento pessoal e familiar à custa do sacrifício de toda a sociedade.

Pedro Lacerda é advogado e escreve às segundas-feiras para o Observatório de Olinda

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