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Prefeitura de Olinda

ARTIGO: A POLÍTICA PARTIDÁRIA NÃO CABE NO MUNDO DO FUTEBOL! – Pedro Lacerda

A sabedoria popular consagrou a frase que todo brasileiro já escutou ao menos uma vez: “política, religião e futebol não se discutem”! O espírito da velha mensagem reside na tentativa de se estabelecer uma tolerância entre as diversas formas de se expressar e viver em nossa sociedade. 

Em um tempo no qual os meios de comunicações se resumiam ao envio de cartas, e o ultramoderno era uma sofrível ligação interurbana, já se apresentava o senso comum de que determinadas esferas não devem ser ultrapassadas em nome da salutar convivência entre as divergências de valores entre as pessoas.  

Lamentavelmente, nos últimos anos, estamos observando em todo o mundo uma exacerbação de comportamentos intolerantes e preconceituosos, indutores da ruptura entre aqueles que gozam de posições e opiniões divergentes. O palco principal da disseminação deste “espírito de rinha” é formado pelas redes sociais, verdadeiros campos de guerra, nos quais a política partidária se apresenta em sua pior versão.  

Originariamente a política era definida como uma nobre atividade humana, voltada para a consecução do bem comum, através dos sacrifícios daquelas pessoas possuidoras de espírito público – capacidade de se colocar em segundo plano para servir a coletividade. Há muito tempo que a política brasileira passa ao largo do conceito acima apresentado. 

Ao invés da busca do bem coletivo, homens e mulheres ingressam na vida pública com o único objetivo de gozar das benesses do poder em seu benefício pessoal e de seus familiares. A falta de preparo humanístico e intelectual dá o tom na grande maioria dos debates promovidos entre os membros dos Poderes, Executivo e Legislativo, sendo o povo apenas a “escada” para a realização de estéreis projetos de poder.  

Nos últimos anos vemos a divisão da sociedade brasileira tomar proporções incomensuráveis, através do ressurgimento do mofado debate entre “esquerda e direita”, “capitalistas e comunistas”, e outras bisonhas bravatas que não mais se justificam em pleno ano de 2021. 

Sem sombra de dúvidas as ferramentas surgidas com a globalização, em um primeiro momento analisadas como mecanismos capazes de promover a maior integração nacional e mundial, em um imprevisível “efeito colateral”, se prestam a serem veículos de disseminação de ignorâncias e mentiras. 

Neste campo (in) fértil surgiram as terríveis “fake news”, que dividem a nossa sociedade entre “progressistas” e “conservadores”, “esquerda” e “direita”, conceitos distorcidos que servem de biombo apenas para a luta de grupos políticos partidários pelo poder e sua canalização para finalidades antirrepublicanas.  

Essa “rinha político-partidária” tem sido alimentada, cada vez mais, por atores políticos de várias matizes ideológicas, buscando assim a ocupação da polarização entre “direita” e “esquerda”, cujo fim apenas é atrair a atenção dos eleitores para, uma vez conquistando seus votos, se perpetuarem no poder que divide e destrói a nossa outrora tão celebrada unidade nacional.  

A pandemia do novo coronavirus foi sordidamente instrumentalizada como arma de disputa política, tanto que a medicina e a ciência foram contaminadas por ideologias que levaram a morte milhares de brasileiros. Perdemos a isenção do debate científico, necessária para a salvação da vida, que foi diminuído e vilipendiado pela polêmica político-partidária.  

Estupefatos vimos um general de Exército participar de um ato político e ser chamado pelo Presidente da República de “meu gordinho”, atitude desprovida de qualquer respeito à liturgia de ambos os cargos e que serve de passe livre para que a tropa venha a se imiscuir e assuntos políticos, perigosa mistura que já custou muito caro ao nosso país, segundo fatos e acontecimentos narrados por nossa história.  

E na evolução da escalada do oportunismo e desatino, vemos a tentativa de politização do mundo do futebol, um dos últimos segmentos da nossa sociedade preservado dos malefícios do radicalismo político. O futebol tem por fim o congraçamento de quem ama o esporte bretão e a celebração da unidade nacional.  

Nossos estádios sempre foram palcos da verdadeira “democracia” na qual o sentimento de amor pelas equipes faz com que todos os seus amantes sejam iguais: ricos, pobres, de esquerda ou direita, absolutamente todos se irmanam no mágico momento do gol! 

Não podemos permitir que o ódio político invada as quatro linhas! É um desserviço ao futebol nacional transformar a realização da “Copa América” em um oportunista debate entre “esquerda” e “direita”, inflamado com as tristes estatísticas de doentes e mortos pelo novo cornonavirus.  

A realização do certame em território nacional foi vergonhosamente distorcida como uma peça de artilharia na guerra entre a “esquerda” e “direita” brasileira, que somente atende aos mesquinhos interesses de seus respectivos membros, enquanto o debate que realmente importa, qual seja a construção de um projeto de país, fica relegado a último plano. 

A adoção de protocolos sanitários, desenvolvidos por médicos qualificados, fez com que a taxa de contaminação dos envolvidos com o espetáculo do futebol sejam absolutamente irrisórias frente ao caos enfrentado por todos nós, cidadãos brasileiros, cansados de adoecer e ver morrer amigos e entes queridos, sem que os donos do poder político deem uma trégua em sua mesquinha disputa pelo poder.  

O Estado de Pernambuco, através do trabalho de excelência realizado pela Federação Pernambucana de Futebol, comandada pelo Presidente Evandro Carvalho, é um case mundial de sucesso na implantação de protocolo sanitário impeditivo da contaminação dos atletas pelo novo coronavírus. A metodologia implantada pela federação pernambucana é referência em todo o globo quando se trata da preservação da saúde dos atletas de futebol e membros dos estafes das equipes.  

Se a ciência estivesse sendo considerada em primeiro plano não haveria qualquer motivo para se polemizar quanto à realização da “Copa América” no Brasil, ao contrário! Seria caso de celebrarmos a geração de empregos e movimentação no setor hoteleiro tendo em vista a presença das equipes de futebol e seus membros das respectivas comissões técnicas. Lembrando sempre que NÃO É PERMITIDA A PRESENÇA DE PÚBLICO NOS ESTÁDIOS!  

Não podemos silenciar quanto a esta ardilosa tentativa dos políticos oportunistas, sejam de “esquerda” ou “direita”, em contaminar o mundo do futebol com suas irracionais disputas pelo poder. Eles vêm conflagrando nossa sociedade, dividindo nossas famílias, diminuindo a nobre missão da ciência e medicina em salvar vidas e agora tentam manipular a opinião pública para tornar a maior paixão nacional em instrumento de ódio e divisão.  

A comunidade esportiva nacional, dirigentes, torcedores, imprensa esportiva, e amantes do futebol, necessitam se posicionar em defesa da preservação da missão do futebol brasileiro que em nada tem a ver com a disseminação do ódio político e divisão do que resta da nossa sociedade.  

Vamos dizer em uníssono que A POLÍTICA PARTIDÁRIA NÃO CABE NO MUNDO DO FUTEBOL! 

Pedro Leonardo Lacerda 

Advogado. Presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club do Recife 

Instagram: pedro_leonardo_lacerda 

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